-
2. O ZEBU ECONOMICAMENTE BASTANTE
Os sistemas de produção caminham no sentido de produção máxima, perdendo, as vezes, o foco do equilíbrio. Vejo os tipos de animais que foram exaustivamente melhorados para uma característica, esquecendo-se completamente de outras virtudes que um animal precisaria ter para a sua vida minimamente confortável. Exemplos são: uma vaca holandesa que traz toda a sua estrutura voltada para o úbere e o boi bbb belga, só músculo. Ambos incapazes de viver no meio sem assistência intensiva. Biologicamente degenerados e economicamente dispendiosos, deixando pelo alto custo uma margem de lucro pequena, constituindo-se ainda em animais dignos de pena, pela real desarmonia, tristeza, feiura e beirando à monstruosidade.
Um examplo do disparate chegou com a raça Indubrasil – que era avaliada pelo comprimento das orelhas (certamente um trauma que se criou em relação a orelha muito pequena do pé-duro - gado europeu que degenerou ao máximo no sertão brasileiro) – O Indubrasil foi melhorado então para o gigantismo, animais gigantes em ossatura e tamanho, cujos bezerros enormes e pesados sem sustentação e equilíbrio, não levantavam para mamar no pós parto e cujas tetas tão grandes e duras eram incompatíveis com o singular hábito instintivo da mamada. Meu velho pai, vaqueiro de sete instrumentos, diz que até as vacas precisavam de um auxílio para saírem da cama. Este tipo de gado foi tão amplamente divulgado pelos “modistas” que quase levou à extinçao das raças base. Mas vacas gigantes não encontravam no pasto o sustento para si, mais um bezerro e para uma nova prenhez anual. Um ano era curto demais para o seu ciclo.
Cabisbaixo, o homem se volta para o velho zebu. Mas não demora muito e surge nova moda e modas chegam, o brahman americano, o red angus, o aberdine, charolês, chianina, limousin e a epidemia se dissemina... Depois de fracassarem tentam o cruzamento industrial, mas sem adaptação para calor, ectoparasita, rumem para capim fibroso – estes animais precisam de cocho – disputando grão de soja e milho com o homens, galinhas e porcos - ou comendo os dejetos e restos de si mesmos (farinha de sangue, restos de carne e ossos) ou esterco das próprias galinhas como fonte de ração barata para aliviar o seu alto custo. A natureza assustada com isso dá um aviso e como alerta enlouquece a vaca (doença da vaca louca).
Então o mundo, cabisbaixo, se volta de novo para o zebu, e faz a louvação e loas para o boi de capim, o elemento ecologicamente correto, e os “modistas” divulgam que cada um mais que o outro detêm o animal “moderno”, que vai a uma tonelada e meia sobre aprumos “corretos” e matrizes “modelos” que produzem 60 oócitos em um única aspiração e vendem uma banda de prenhez por mais de um milhão. Num circo, palhaços e atores sobem num púlpito para divulgar um um falso zebu na televisão, negócios astronômicos entre donos de empreiteiras e governadores de estados, filhos da mega-indústria e corretores de plantão, artistas e cantores – e o show pirotécnico chega, por fio da parabólica, em casa do produtor rural: O “modelo” do moderno, do que se deve criar.
Mesmo o diabo tem seu advogado, e há quem , por motivos mais que particulares e escusos, queira introduzir animais melhorados por séculos na Suiça no Cariri Velho da Paraíba. Eita, seo Manelito Dantas, é muito ipsilone prá minha cartilha de vaqueiro.
|