-
3. A BUSCA DO MEIO TERMO – um zebu sem exageros
A busca do meio termo, ou melhor, do caminho do meio. Fugindo das extremidades que é onde fica o limite ou o abismo. Isto é o que também poderíamos chamar de o equilíbrio, o que vai desaguar em harmonia.
A busca pelo exagero vai dar na deformidade ou na aberração. Os homens se esquecem fácil dos exemplos e tropeços, dos prejuízos e então voltam a querer inventar a roda.
Quando penso no Tempo, tenho que me reportar a uma idade mais extensa para tirar a bitola dos meus dias de hóspede sobre a terra. No miolo da Era Mesozóica, está o período Jurássico inferior ou Liásico - foi no fim desse período que o mar abandonou as bacias... Isto há cerca de 180 milhões de anos... Tento imaginar a passagem deste tempo... 180 milhões de anos e a migração das espécies, debaixo de sóis e luas, até os nossos dias. Assim posso ver o que é a tolice de um homem gastando os seus setenta, oitenta ou noventa anos...
O meu amigo deve se perguntar por que diabos este homem vai dando tanta volta para falar de gado, misturando roda com período Jurássico e fuga do mar de uma bacia para outra. Falar de 180 milhões de anos é querer que o meu amigo pense no tempo de trabalho da natureza tangendo e retirando o seu rebanho, esculpindo as suas espécies. Que o amigo possa comparar isto com o que temos feito ou que os ilustres homens das ciências vêm produzindo em termos de “ melhoramento” genético.
Torno a voltar no tempo de um sábio que criava muito gado em 970 a.C. – era o rei Salomão – Fico imaginando se o rei teria trazido gado de um lugar onde hoje é o Paquistão, antigo território da Índia , mas minha visita aos currais de Salomão é apenas para tomar-lhe de empréstimo um dos seus Provérbios : “ O justo olha para a vida dos seus animais... e”. (Provérbios – 12 :10-11).
Com tanto rodeio para botar um pingo em cima de um “i”, quero convidar o “criador”, mas o criador apaixonado pela sua labuta, para uma prosa. Quando digo o criador, quero me referir ao homem que conduz o seu gado como ofício. Quero, pelo menos aqui, fugir dos círculos da moda, do modismo, do artificalismo, da maquiagem, das manobras engendradas somente com olho no lucro inescrupuloso e especulativo, do qual tem sido vítima o gado zebu, pelo fato do gado criado a campo no Brasil ter se tornado um modelo de condição sustentável e harmônico com a natureza, o boi que converte a luz do sol em alimento para o homem sem ter que dividir com ele os grãos da sua mesa.
Os modistas com suas vacas-modelo vendem a foto de um zebu que nunca comeu um pé de capim, que nunca pegou carrapato, nem caminhou com seu bezerro ao pé debaixo de um sol de quase quarenta graus por um dia inteiro de um período de sêca, uma matriz modelo que nunca lambeu uma cria, nem carreou o seu peso de uma tonelada sobre o cascalho e ou sobre as rampas escorregadias das águas de março. A matriz modelo que transfere a sua genética de 20 quilos de ração de engorda e crescimento aos seus clones nascidos do ventre das “reds” por meio do parto cesariano em um hospital ou hotel maternidade tendo um médico para cada vaca.
Espero que os “jurados” (não juízes) dos campeões de progênie, bem como os empressários da bolsa do gado, mais ainda os ilustres cientistas que transformam os 180 milhões de anos do período Jurássico em um ciclo de fertilização em vidro, possam perdoar estas tolas palavras e incursões em curso contrário de um leigo, filho e neto de vaqueiros, tangerinos do “gado do lugar”.
|